21 de maio de 2010

Consumidor-objeto

Os produtos consumidos atualmente incorporam, além de forma física e funções mecânicas, significado e função social, como Donald Norman explicita em seu livro Design Emocional: Por que adoramos (ou detestamos) os objetos do dia-a-dia. A autora Lucrécia Ferrara explica da seguinte forma:

“O traje usado para cobrir o corpo, o meio de transporte adotado não são de ordem estritamente funcional, ao contrário, dizem, sem palavras, nossas preferências, explicitam nossos gostos. Escolher cores, modelos, tecidos, marcas significa expectativas socioeconômicas, mas, sobretudo, revela o que queremos que pensem de nós; aquelas escolhas representam, são signos da auto-imagem que queremos comunicar” (Ferrara, 1991: 6-7)

Os objetos, então, são capazes de contribuir para uma corrida social por sucesso, onde quem possui o mais avançado, o último lançamento ou a mais nova “top master ultra new” é quem dita as regras e os critérios de pontuação dessa competição. Talvez essa seja uma forma saudável de suprir uma carência dentre os consumidores ou talvez seja apenas uma maneira de alimentar as empresas que lucram com o consumo em excesso. Uma coisa é certa: o mundo não é capaz de absorver todos os impactos desse sistema objetual.

É necessário então mais consciência na hora de produzir ou consumir e para se conscientizar é necessário se informar. Não basta entrar na onde do “consumo sustentável” pois de sustentável o consumo não tem nada. Segundo Denise Macedo Zilioto, organizadora do livro O consumidor: Objeto da Cultura, os consumidores verdes já caíram na rede consumista. Eles foram criados pelas empresas que os enxergaram como investimentos lucrativos, como uma fatia do mercado que poderia trazer lucros. Esses empreendedores se deram conta, já na década de 1990, do faturamento dos investimentos mundiais envolvendo o controle ambiental mundial, que já faturavam mais que a indústria bélica.

Nesse contexto, a relação sociedade e natureza permanece insuficientemente interpretada e confusa na cabeça dos estudiosos do assunto. Por isso faz-se necessário maior estudo a respeito desse assunto envolvendo questões culturais, sociais, naturais, humanas, industriais. Os designers podem tomar uma postura mais questionadora e podem ter mais cuidado ao afirmar soluções unilaterais. Os problemas precisam ser encarados de forma sistêmica e interdisciplinar, pois essa é a natureza deles, essa é a forma como eles estão enraizados na sociedade.


Pesquisa realizada por: Eduardo da Silva Martins

Tutoria de: Rodrigo Gonçalves dos Santos


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERRARA, L. Leitura sem palavras. São Paulo: Ática, 1991.

NORMAN, Donald A. Design Emocional: Por que adoramos (ou detestamos) os objetos do dia-a-dia. Tradução de Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.

ZILIOTTO, Denise M. (org.). O Consumidor: objeto da cultura. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2003.


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